Anarquismo e sindicalismo : os debates sobre a herança de Bakunine antes da Grande Guerra

René Berthier
samedi 6 décembre 2014
par  Eric Vilain
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Coloquio internacional Mikhail Bakunin e a A.I.T.

10 a 13 de novembre de 2014

Universidade de Sao Paulo

Biblioteca Terra Livre

Anarquismo e sindicalismo : Os debates sobre a herança de Bakunin antes da Grande Guerra

René Berthier

Anarquismo e sindicalismo :
Os debates sobre a herança de Bakunin antes da Grande Guerra

René Berthier

Após a morte de Bakunin, produziu-se uma ruptura entre os princípios que o revolucionário russo tinha elaborado e as práticas dos anarquistas na AIT. Segundo ele, a Internacional devia conservar o seu caráter de organização de massa : os trabalhadores não deviam aderir a partir de uma ideia, um programa, mas com base a solidariedade recíproca e a defesa dos seus interesses materiais. Bakunin considerava que o movimento operário internacional não tinha atingido um nível de desenvolvimento homogéneo e que seria necessário longos anos de debates internos para atingir a esta homogeneidade. Entretanto, era necessário encorajar estes debates, mas impedir a todo custo a imposição de um programa único para a Internacional – projeto que Bakunin atribuía a Marx.

Para chegar a constituir uma organização internacional de massa para lutar contra o sistema capitalista, não é necessário começar por expor grandes princípios teóricos, é necessário dirigir-se ao proletariado « não com ideias gerais e abstratas, mas com a compreensão real dos seus males reais » [1]

A oposição de Bakunin à adoção de um programa único e obrigatório apoiava-se igualmente sobre o fato que se um programa fosse adotado, aquilo conduziria inevitavelmente os partidários de correntes diferentes a querer também impor um programa, e então “haveria diversas Internacionais, para contemplar programas diferentes” [2] : seria a deslocação da organização.

A partir de esta época, pode-se distinguir na Internacional, seguidamente na Internacional antiautoritária, duas correntes que se opõem. Esta oposição, que existia já antes de Saint-Imier, permanece feltrada : na sua obra monumental A Internacional, documentos e lembranças, James Guillaume não procura destacar essa oposição em evidência, mas a sua presença é real. Poderia-se qualificar estas correntes de “protosindicalista revolucionário” e “protoanarquista”.

Com os sindicalistas, estavam James Guillaume, Bakunin – mas sobre este ponto há divergências –, a federação espanhola e, por um tempo, a federação belga ; com aqueles que começa-se a designar como “anarquistas”, há Pierre Brousse, Andrea Costa, mas também Malatesta, Cafiero, etc. Esta confrontação levaria a que me refiro como “uma ruptura” com o bakuninismo.

Saint-Imier : “o ato fundador” do anarquismo ?

O congresso de Saint-Imier às vezes é apresentado como “o ato fundador” do anarquismo. É verdade que, após a exclusão de Bakunin e James Guillaume da Internacional, no congresso de La Haye em setembro de 1872, seguidamente após a exclusão da Federação do Jura, a quase totalidade das federações da AIT se posicionaram contra as exclusões. Marx encontrou-se totalmente isolado. O congresso internacional de Saint-Imier foi numa certa medida a manifestação deste desacordo ; mas as federações da Internacional não compartilhavam todas as posições da Federação do Jura.

Algumas delas estavam abertamente em favor da conquista do poder pelas eleições. O congresso de Saint-Imier fundou-se sobre o princípio de que cada federação tinha a possibilidade de escolher a sua própria via para a emancipação dos trabalhadores, incluindo a via eleitoral. Não há nenhuma ambiguidade sobre este ponto. Portanto, não é correto dizer que o Congresso de Saint-Imier era “o ato fundador do anarquismo”.

Há, no movimento anarquista (francês em todo caso) uma certa forma de “síndrome da vítima” que conduz os militantes a retomar o discurso burguês e marxista segundo o qual o congresso de Saint-Imier foi uma “cisão anarquista”. A maior parte dos textos que pode-se encontrar, incluindo anarquistas, acreditam nesta lenda. Saint-Imier não foi uma cisão, foi um congresso extraordinário da Internacional que negou as decisões do congresso ordinário precedente tido em La Haye, e que decidiu que a Internacional prosseguiria a sua atividade, sob reservas de certas modificações estatutárias perfeitamente regulares. O congresso ordinário de La Haye foi o 5° congresso da Internacional ; o que seguiu à Genebra em 1873 foi muito naturalmente o 6°.

Com certeza, havia, na Federação do Jura, militantes que tinham posições “anarquistas”, opostas à estratégia parlamentar. Mas a Internacional chamada “antiautoritária” fundada do congresso de Saint-Imier não era anarquista ; era “antiautoritária”, porque não tinha programa obrigatório e que podiam coexistir federações que tinham feito escolhas diferentes, incluindo a escolha de uma estratégia parlamentar, mas que se entendiam sobre a exigência de solidariedade operária internacional. Esta autonomia das federações era totalmente inaceitável para Marx, que terminou por excluir da Internacional a quase totalidade do movimento operário da época (Exceto os alemães, que representam um caso específico, porque nunca tinham contribuído com a Internacional.)

Ora, após o congresso de Saint-Imier, a corrente “anarquista » vai esforçar-se de pôr em causa estes princípios. O congresso de Verviers (Bélgica), em 1877, vai terminar por impor à International um programa único, o programa anarquista, fazendo o que Bakunin tentou a qualquer custo impedir. Vai literalmente fazer o que Bakunin e os seus companheiros acusavam Marx : transformar o que permanecia da Internacional em organização “específica”, com um programa único. É após este congresso que a Federação belga, que sempre foi sido muito próxima de Bakunin, deixou a Internacional. De fato, a Internacional desaparece. Permanecerá apenas a Federação do Jura, que se transformaria em grupo anarquista de afinidade e terminaria a sua existência com menos de 400 membros. E em 1878, a federação do Jura decidiu não convocar mais congressos internacionais. Pode-se dizer que a AIT evaporou.

Após o desaparecimento da AIT, numerosos militantes, órfãos da Internacional, participaram dos congressos socialistas internacionais organizados pela social-democracia alemã. Essa presença nesses congressos não representam um problema para os militantes socialistas, mas incomodava os líderes social-democratas, sobretudo os alemães. Após algumas tentativas infrutíferas, a eliminação definitiva dos “anarquistas” foi realizada em 1896. Para os líderes social-democratas, o termo “anarquista” designava qualquer militante oposto à estratégia parlamentar e favorável à greve geral. Incluindo por conseguinte os socialistas que, embora não sendo anarquistas, compartilhavam as suas vistas sobre a ação parlamentar e a greve geral. Neste período que poderia se qualificar de “transitório”, as práticas ainda não eram fixadas : numerosos militantes socialistas tinham feito a experiência da ação parlamentar mas não tinham sido convencidos da sua eficácia ; outros preconizavam a ação parlamentar como um método entre outros, mas não excluíam o boicote das eleições e a greve geral, de acordo com as circunstâncias.

A herança de Bakunin e da AIT

Durante os vinte anos que precederam a Primeira Guerra mundial pôs-se no movimento operário francês a pergunta da herança da Primeira internacional e de Bakunin. Houve uma ruptura de continuidade que corresponde à uma geração. Este período contribuiu para erodir a história e a memória, e os deformar. James Guillaume, que viveu essa época na França, tem um papel decisivo nesta reapropriação. As duas correntes herdeiras da Internacional redescobrem Bakunin graças a um texto publicado em 1869 em L’Égalité, de Genebra, sob a forma de quatro artigos : Politique de l’Internationale, da qual largos extratos foram publicados em 1907 em Temps nouveaux e Il Risveglio. O texto de Bakunin alimentou uma controvérsia que durará pelo menos até a declaração da guerra.

Sob o pseudônimo de Isidine, Marie Goldsmith reafirma “a identidade das ideias sindicalistas com as ideias anarquistas”. E acrescenta : “Bakunin, no seu artigo A Política da Internacional, expõe a linha que queria ver seguir ao movimento operário, de modo que o movimento sindicalista atual parece ser a realização exata do seu programa [3]. Numerosos foram os que escreveram, nas correntes procedentes da Associação Internacional dos Trabalhadores antiautoritária e da Federação do Jura, que o anarquismo era um produto da AIT e que o sindicalismo era um produto do anarquismo. Amédée Dunois, por exemplo, afirma em julho de 1907 que o anarquismo sindicalista [4] “assemelhava-se como um filho ao coletivismo da Internacional” e que “provinha em linha direta de Bakunin”.

Inicialmente, sindicalistas revolucionários e anarquistas concordam em reconhecer que Bakunin foi um precursor do sindicalismo revolucionário : o sindicalismo revolucionário é a forma em ação do anarquismo. Mas bastante rapidamente oposições vão aparecer. Essas oposições são analisadas notavelmente por Maurizio Antonioli, num artigo de 1976, “Bakunin entre sindicalismo revolucionário e anarquismo” [5]. Mostra o papel decisivo que James Guillaume jogou nesta reapropriação da herança pelas duas correntes que, inicialmente, parecem de acordo para sublinhar o fato que Bakunin foi um precursor do sindicalismo revolucionário : Maurizio Antonioli escreve que há então “uma continuidade política ideal entre Bakunin e o sindicalismo”. Gradualmente, estas duas correntes evoluem de uma maneira que vão confrontar-se. O sindicalismo revolucionário encontra-se no que Antonioli chama “uma lógica de absorção”, assumindo ao mesmo tempo a função de organização de massa e de organização específica.

Acusados de ter tentações “imperialistas”, de acordo com a expressão do anarquista francês Marc Pierrot, os anarquistas vão acusar o sindicalismo revolucionário de não deixar nenhum lugar para organização fundada sobre “um ideal”, ou seja, para organização política.

O debate prosseguirá sobre a questão do “automatismo”, uma ideia atribuída erroneamente à Bakunin, segundo a qual haveria determinismo inegável que conduz o trabalhador envolvido na luta revendicativa e diária à consciência revolucionária. Ora não é realmente o que Bakunin disse : o revolucionário russo diz efetivamente que o ponto de partida da ação revolucionária consiste na tomada de consciência dos interesses imediatos, dos problemas diários do trabalhador (“a compreensão real dos seus mais reais”) ; não diz que esta tomada de consciência conduz inevitavelmente à consciência revolucionária. Ela é uma condição necessária, mas não suficiente.

Este debate teve igualmente lugar ao Brasil, um pouco mais tarde. A Guerra Social, n° 55 (26 de julho de 1917), evoca a ideia segundo a qual o proletariado “encontra na luta a consciência dele mesmo”, mas este debate transferiu-se para a ideia que “o proletariado encontra e realiza na organização – o astro único ao redor do qual ‘tudo’ deve evoluir : a sua consciência de classe, condição da ação operária verdadeiramente consequente” [6].

Duas estruturas federadas

Na visão de Bakunin, a Internacional era constituída de duas estruturas federadas entre elas : uma estrutura “vertical” constituída de “seções profissionais”, equivalente aos sindicatos) – O debate sobre os sindicatos de indústria e as federações de indústria não existia ainda – e uma estrutura geográfica ou interprofissional constituída das “seções centrais” (o equivalente às bolsas do trabalho ou uniões locais, ou às Camere del Lavoro na Itália).

As seções profissionais eram encarregadas da luta diária no local de trabalho. É lá que os trabalhadores encontravam-se o mais diretamente possível confrontados com o capital e que, através da luta e a prática da solidariedade, tomavam consciência da oposição radical entre Capital e Trabalho. Talvez seja onde apareça a ideia do “automatismo” atribuída a Bakunin. Na concepção bakuninista da organização, as “seções centrais” não representam nenhuma indústria específica “dado que os trabalhadores mais avançados de todas as indústrias de uma localidade encontram-se reunidos”.

São em certa medida as bolsas do trabalho estruturas interprofissionais que representam a ideia mesmo da Internacional. A sua missão é desenvolver esta ideia e fazer a propaganda da emancipação não somente dos trabalhadores de tal indústria ou de tal país, mas de todos os países. Para Bakunin, são centros ativos onde “conserva-se, concentra-se, desenvolve-se e explica-se a fé nova” [7]. Não se entra como trabalhador especial de tal profissão, mas como trabalhador em geral. O papel da seção central é, por conseguinte, um papel eminentemente político. Implantada na localidade sobre bases geográficas, reúne os trabalhadores sem consideração de profissão a fim de dar às seções profissionais uma visão e perspectivas que excedem o quadro estreito da empresa. Permite, em primeiro lugar, a todos os trabalhadores de uma localidade serem informados das suas situações respectivas e, eventualmente, organizar o apoio no caso de necessidade.

Bakunin afirma uma correspondência entre estes dois processos, entre estas duas instâncias organizacionais federadas entre elas. É a sua síntese que constitui a organização de classe nas formas que lhe permitirão constituir um substituto à organização estatal.

Aos que pensam que uma vez a missão das seções centrais realizada – a criação de uma potente organização – as seções centrais devem dissolver-se, deixando unicamente as seções profisionais, Bakunin declara que seria um grave erro, porque a tarefa da AIT “não é somente uma obra econômica ou simplesmente material, é ao mesmo tempo e ao mesmo grau uma obra eminentemente política” [8].

Em outros termos, Bakunin não limita a organização de massa dos trabalhadores a uma simples função de luta econômica : retirando da AIT as suas secções centrais, seria retirado da organização o lugar onde se pode fazer uma elaboração política, uma reflexão indispensável dos trabalhadores sobre as finalidades da sua ação. Unificando inicialmente os trabalhadores com base nos seus interesses imediatos, a organização de classe é também o lugar onde elabora-se e onde põe-se em prática a política que conduzirá à sua emancipação. Na década de 1970, os libertários franceses perceberam pela experiência que, quando uma burocracia sindical ou um partido político que controla uma organização sindical, ou seja, reforça o seu controle sobre a organização, esforça-se com obstinação para liquidar o papel das estruturas interprofissionais. Mas quando os trabalhadores controlam diretamente estas estruturas interprofissionais (“as seções centrais” de Bakunin), a sua atividade faz concorrência diretamente com os partidos políticos. O debate entre “automatismo” (os trabalhadores chegam à consciência revolucionária pela única experiência das lutas) e “ideal” (os trabalhadores têm necessidade de uma intervenção externa, política, para desenvolver uma atividade revolucionária) seria para Bakunin o exemplo mesmo do falso debate.

O sindicato é suficiente por si só ?

A imprensa anarquista da época dá numerosos exemplos de militantes que protestam contra as pretensões dos sindicalistas revolucionários à hegemonia e contra a ideia segundo a qual o sindicalismo seria suficiente por si só. No entanto, não se encontra nada em Bakunin que possa justificar este ponto de vista. Bem pelo contrário. De acordo com o revolucionário russo, qualquer que seja o nível de exigência que pode-se ter para uma organização de massa como a AIT, há limites ligados precisamente à sua heterogeneidade : não se pode pedir a uma instituição mais do que ela pode dar, diz Bakunin, ou então ela se desmoraliza. “A Internacional, em pouco tempo, produziu grandes resultados. Organizou, e organizará cada dia de maneira mais formidável ainda o proletariado para a luta econômica”, mas não poderá “servir-se dela como um instrumento para a luta política” [9].

É claro, portanto, que a AIT– em outros termos, a organização sindical – não pode “ser suficiente por si só”. Deve haver algo mais. Os militantes que se queixaram de que o desenvolvimento da organização específica anarquista era desabilitado pela hegemonia sindical, e que Maurizio Antonioli chama “a absorção das energias pelo movimento sindical”, poderiam inspirar-se no modelo da Aliança bakunista (Aliança Internacional da Democracia Socialista), organização secreta fundada por Bakunin e seus amigos em 1868. Quando a Aliança pediu a aderir à Associação Internacional dos Trabalhadores, ela teve de se dissolver como organização secreta e reconstituir-se como organização que aceita os estatutos da Internacional. Conservou, contudo, atividades clandestinas, porque agia às vezes em países onde a adesão à AIT era restringida severamente.). A Aliança, sociedade “secreta” de Bakunin e os seus amigos, não era nada mais do que um embrião de partido ou de organização específica, cuja função era agrupar os quadros revolucionários e coordenar a sua atividade de propaganda e de organização. Nesse sentido, a Aliança era de uma real eficácia. A sua maior glória é, sem dúvida, de ter contribuído para a criação da seção regional espanhola da AIT. Em novembro de 1868, Giuseppe Fanelli chega na Espanha para espalhar as ideias da Internacional. Em junho de 1870, acontece em Barcelona um congresso cujos delegados representam quarenta mil trabalhadores, na qual é constituída a Federação Operária Regional da Espanha.

Por um primeiro exame, pode-se determinar as funções que assumia este grupo : fazer a propaganda, desenvolver a Internacional ; incitar os trabalhadores a organizar-se ; agir para garantir a independência da organização em relação às manobras de recuperação política. A Aliança não era, assim, “uma federação anarquista comunista” avant la lettre. Não era também um grupo anarquista específico no sentido em que o compreendemos hoje. Era um grupo coerente que agia de maneira coerente dentro da organização de massa. Era literalmente uma fração anarquista dentro da organização de massa. Não uma fração destinada a tomar o controle da organização em favor de uma organização fora da classe operária, como foi o caso com a Internacional comunista, mas uma fração anárquica cuja função era garantir a autonomia da organização de massa, de garantir que as decisões, as orientações não eram tomadas fora da organização.

Não parece que os anarquistas franceses antes da guerra se questionaram a respeito da constituição de uma organização decalcada no modelo da Aliança bakunista. Os sindicalistas revolucionários também não. O problema da constituição e do papel da minoria revolucionária foi novamente colocado ao início do século XX : devia ser selecionada dentro do sindicato, como queria James Guillaume ? Ou fora, como queria Malatesta ? Penso, mais uma vez, que Bakunin teria visto lá um falso problema. A pergunta não é tanto saber onde estas elites recrutam-se (no movimento sindical ou fora) nem quem é recrutado (trabalhadores ou burgueses fugidos da sua classe), mas qual tipo de atividade efetuam.

Não existe nenhuma dúvida, não obstante, que Bakunin teria admitido que estas elites instrumentalizem simplesmente o movimento de massa ao benefício das suas ideias. O que Malatesta exprime dizendo que “queremos fazer a propaganda e aproveitar do movimento operário ao benefício da nossa causa” [10], ou J. Mesnil exigindo “permanecer completamente anarquista, nos sindicatos como noutro lugar”, ou ainda L. Merlino que acusa aos anarquistas “que lancem-se a cabeça a estreia no movimento sindical”. São formulações que sugerem claramente que estes militantes percebam-se como totalmente externos à classe operária.

A pergunta do papel dos intelectuais, para Bakunin, não se põe em termos de direção, mas de colaboração. O revolucionário russo é privado totalmente de ilusão e complacência a respeito tanto dos socialistas burgueses, que chama igualmente de “os especuladores do socialismo”, quanto dos trabalhadores transformados em burgueses.

O congresso anarquista de 1913

Durante anos, os anarquistas franceses tinham acusado a direção sindicalista revolucionária da CGT de falta de iniciativa revolucionária, então mesmo que estavam enfrentando uma formidável repressão policial e à oposição interna crescente dos reformistas, tentavam sabotar qualquer iniciativa da direção confederal. Em 1912, tinha sido organizada uma greve geral contra a guerra que aproximava. Esta greve geral tinha salvo em certa medida a honra do movimento operário francês – não houve nada de equivalente na Alemanha – mas a organização estava esgotada, dando lugar a uma terrível repressão, igualmente contra os sindicalistas e anarquistas que tinham participado ativamente da greve.

Num artigo parecido na revista anarquista Les Temps nouveaux, Francis Delaisi comenta este congresso : “Mas é claro que esta ‘ginástica revolucionária’ (A expressão é de Émile Pouget.) não saberia fazer-se continuamente. Após qualquer movimento global, é necessário um período de recordação ; qualquer batalha, mesmo vitoriosa, deixa no organismo feridas que é necessário enfaixar, perdas que é necessário reparar se quiser retomar seguidamente um esforço mais vigoroso” [11]. Era lá um sentido das realidades pouco corrente.

O caráter externo do movimento anarquista em relação à classe operária manifesta-se igualmente na incapacidade de perceber a relação (“dialética”, ousaria dizer) que pode existir entre ação revindicativa – identificada ao “reformismo” – e ação revolucionária ; os anarquistas supostamente entregues unicamente a atos revolucionários, – excluindo qualquer outro – em qual mostravam-se muito diferentes dos seus companheiros brasileiros. É evidente que, nestas condições, os anarquistas não têm muito a fazer nas organizações de massa fora da “propaganda anarquista” destinada a recrutar. Para Libero Merlino, os sindicalistas são apenas reformistas : “Sindicalismo, ação direta, bonitas coisas ; sindicalistas, nada de outro além de reformistas revistos e corrigidos ; nenhuma coragem, nenhum revolucionarismo ! Por quê ? Porque não têm ideal, porque não são… anarquistas” [12]. Para Marc Pierrot, não há “nenhuma diferença entre sindicalistas reformistas e sindicalistas revolucionários”, porque “ambos reclamam apenas reformas” [13]. O que sugere que os militantes anarquistas que, por azar, militariam nos sindicatos não deveriam em nenhum caso reclamar reformas, não deveriam lutar aos lados dos seus companheiros de trabalho. É de se perguntar qual credibilidade pode ter os anarquistas que têm tal discurso.

Foi necessário esperar o congresso anarquista tido em agosto de 1913 em Paris para “normalizar” em certa medida as relações entre anarquismo e sindicalismo. O congresso foi organizado pela Federação Comunista Anarquista (Paris) e vários jornais anarquistas ; foram presentes cerca de 130 delegados que representam 60 grupos (24 de Paris e 36 de províncias). Este congresso foi marcado por uma vigorosa tomada de distância com o individualismo e a expulsão de um militante individualista conhecido porque tentou obstruir os debates. Sébastien Faure sublinhou “o abismo insuperável” que separava as concepções comunistas e individualistas. Mas depois de expulsar o individualismo através da porta em 1913, Sébastien Faure reintroduziu-o pela janela em 1928 com a sua “síntese” anarquista entre comunismo, sindicalismo e individualismo.

O Relatório feito pelo Temps Nouveaux do 23 de agosto de 1913 e os comentários que seguem-no relatam longamente a pergunta sindical. Lê-se que “é importante que os anarquistas misturem-se aos sindicatos a fim de semear sentimentos revolucionários e a ideia da greve geral expropriatória”. Em suma, o autor do artigo consente “misturar-se” aos sindicatos, não a militar para combater lado ao lado com os trabalhadores. E entende falar de greve geral expropriando, não de organização e de luta diárias. Na sequência deste congresso que, por último, via estabelecer-se certa coesão entre anarquistas franceses, tiveram-se de numerosas conferências regionais. Notem, contudo, que a federação do Sudeste, que teve o seu congresso em Lyon, admitia todas as tendências – inclusive individualistas – mas opunha-se à ação sindical.

Apenas à véspera da guerra que o movimento anarquista francês tenta organizar-se sobre o plano nacional. Federações regionais constituem-se por toda a parte. Um congresso anarquista internacional deveria acontecer em Londres em agosto de 1914. O desencadeamento da guerra ia pôr um termo a estes projetos de união internacional. Imediatamente depois de um congresso anarquista, e sem dúvida pensando nele, o sindicalista revolucionário Alfred Rosmer tinha declarado em setembro de 1913 que “parte essencial dos anarquistas franceses estava fora do CGT” [14]. O congresso anarquista de agosto de 1913 confirma-o : entre os militantes convidados a comentar este congresso, certo F.L escreve no Temps Nouveaux do 23 de agosto de 1913 : “Por outro lado, como é sabido que há tempos a influência exercida pelos nossos camaradas sobre o movimento sindical diminuiu sensivelmente, passou a ser necessário nos perguntarmos se sempre fizemos no sindicato o que devíamos sempre fazer”.

Esta interrogação chegava ligeiramente atrasada.

A organização revolucionária. – Regresso a Bakunin ?

Quando examina-se o exemplo histórico do sindicalismo revolucionário francês, parece que ele integrou uma grande parte da herança bakuninista mas não tinha antecipado certas consequências desta herança. Preconizando uma organização de massa aberta a todos os trabalhadores, os militantes franceses, talvez por excesso de confiança, não tinham pensado que pudessem perder o controle da CGT porque outras correntes portadoras das outras opções sindicais mostrariam-se capazes de suplantá-la. A energia e o ativismo dos sindicalistas revolucionários não tinham enfraquecido, mas os mandatos sindicais que eles ocupavam diminuíam progressivamente, enquanto os sindicatos e federações que se juntavam ao CGT representavam um número crescente de trabalhadores sob o controle dos reformistas. Quando a guerra eclode em agosto de 1914,”, mesmo que militantes sindicalistas revolucionários encontrassem-se ainda na sua direção.

É necessário igualmente precisar que, na corrente sindicalista revolucionária, as divisões entre “revisionistas” e “ortodoxos” tiveram consequências trágicas após a Revolução Russa, mas este não é o lugar de se desenvolver este ponto : Após a Revolução Russa, ocorreram no CGT-U (uma cisão “unitária” da CGT que reunia muito numerosos trabalhadores) intensos debates na corrente sindicalista revolucionário para saber se a organização devesse aderir à Internacional Sindical Vermelha. Enquanto que os sindicalistas revolucionários eram ainda majoritários, a corrente encontrou-se dividida sobre este dilema : Pierre Monatte era favorável à adesão ; Pierre Besnard era contra. Esta controvérsia abriu a porta aos comunistas que tomaram o controle do CGT. Os sindicalistas revolucionários negligenciaram uma lição da herança bakuninista : a constituição de uma estrutura interna na CGT ideologicamente coerente, disciplinada, agrupando aos militantes mais experimentados e mais formados, que teria coordenado a sua atividade e teria organizado o combate contra os reformistas antes da Revolução Russa, e contra os comunistas depois. O sindicalismo revolucionário francês se condiserava como uma simples prática, não como uma doutrina.
A outra face da medalha é que, confuso pela convicção que os sindicalistas revolucionários eram “reformistas”, que as lutas reivindicativas deviam proscrever-se e que só contava o combate que levaria diretamente à revolução, o movimento anarquista francês mostrou-se incapaz de conceber-se como um grupo coerente de militantes que trabalham na CGT para preservar a autonomia. É particularmente interessante notar que esta dupla carência reencontrou-se em quase todos os países. Esta situação teve consequências catastróficas após a Revolução Russa, quando a Internacional Comunista começou a penetrar nas organizações operárias. No Brasil, o anarquismo e o sindicalismo eram quase totalmente incorporados (pelo contrário do que se passava na França) ; o anarquismo existia apenas como ele estava no movimento sindical. É assim que José Oiticica declarava em 1923 : “não soubemos efetivar as federações anárquicas fora dos sindicatos” [15]. Segundo Samis : “Oiticica buscava chamar a atenção dos companheiros de doutrina para a encruzilhada na qual se encontravam os libertários no Brasil ; uma vez que a ação anarquista circunscrevia-se quase que exclusivamente ao meio sindical. Buscava-se então criar uma ‘frente anarquista’ capaz de pôr em marcha uma política eminentemente libertária aplicável dentro e fora do sindicato.” [16]
O estudo de Alexandre Samis, fonte da citação acima, mostra as dificuldades às quais foram confrontados os anarquistas após a criação do Partido Comunista no Brasil e a implementação da política ordenada pela Internacional sindical vermelha, que introduziu práticas que eram totalmente inéditas no movimento operário internacional (as “frações comunistas”), que explica em grande parte que os militantes mostraram-se desamparados. A penetração comunista nos sindicatos foi facilitada pela ausência, dentro dos sindicatos, de uma organização específica dos libertários, capaz de organizar de maneira séria a resistência à penetração comunista.

Após a Primeira Guerra Mundial, a influência em declínio em grande parte do sindicalismo revolucionário sobre a CGT definitivamente foi quebrada pela incapacidade dos militantes sindicalistas revolucionários e anarquistas em relação às frações comunistas que tomavam progressivamente o controle de todas as instâncias da organização sindical, em conformidade com a 9° condição de adesão dos partidos socialistas à Internacional comunista. O mesmo processo ocorreu no Uruguai, no Brasil e em outros países latino-americanos onde existia um potente movimento sindicalista revolucionário e um potente movimento anarquista. Um líder do partido comunista francês disse mais tarde que os comunistas entraram na CGT “como uma ponta de aço num monte de manteiga”. Certamente é exagerada, mas a imagem é que fala. O mesmo processo ocorreu quase por toda a parte no mundo.

Conclusão

Pode-se reclamar da herança de Bakunin hoje ? Não, se se quiser retomar o discurso do revolucionário russo e aplicá-lo mecanicamente à situação de hoje.

1. Muitas reivindicações que pareciam impossíveis realizar sem uma revolução tornaram-se hoje realidades, imperfeitas sem dúvida, mas reais : a proteção social, a reforma, as licenças pagas, etc. Estas reivindicações devem, no entanto, ainda conquistar-se em muitos países, mas não são mais realmente “revolucionárias”. Acrescente-se que as políticas liberais postas em prática sobre todo o planeta levam a uma regressão geral dos recursos sociais que conduzirão a população trabalhadora a voltar às condições de existência do século XIX.

2. A análise bakuninista não integrou as repercussões da extensão do sufrágio universal. O revolucionário russo descreveu certamente com muita meticulosidade e de pertinência o sufrágio universal e os seus mecanismos, compreendeu que era uma arma da burguesia para alienar politicamente a classe operária, mas não compreendeu que este sistema ia inevitavelmente atrair as massas populares e que não seria mais possível retornar ao estado anterior.

Não podia sem dúvida prever que o sufrágio acabaria com os movimentos revolucionários por toda a parte onde a sua prática estendia-se. Teve uma intuição fugaz do problema quando perguntou se não era necessário se criar duas Internacionais, uma para ingleses, americanos e alemães, outra para franceses, belgas, espanhóis, italianos e eslavos : “É necessário estabelecer duas Internacionais ? Uma germânica, outro o latino-eslava ?” [17] Com efeito, a distinção que estabelece designa os países onde existe o sufrágio universal, ou em todo caso uma forma de sistema eleitoral, e os países onde não existe. É significativo que a federação belga deixará a Associação Internacional dos Trabalhadores antiautoritária precisamente quando a perspectiva parlamentar se abrisse. O movimento libertário de hoje não integrou esta constatação na aposta de uma estratégia adaptada ao nosso tempo. Certos militantes acreditaram encontrar uma solução participando ao jogo parlamentar : foram engolidos irremediavelmente por ele.

3. Desde a época de Bakunin, a composição social da população evoluiu, ficou infinitamente mais complexa com o aparecimento de múltiplas camadas sociais intermediárias, que torna impossível de raciocinar nos mesmos termos que em 1870 e elaborar estratégias como podia-se fazê-lo no tempo de Bakunin. Não há mais, de um lado, a classe operária (e eventualmente os camponeses pobres) e, do outro lado, a burguesia com uma pequena-burguesia no meio. Hoje o movimento libertário deveria integrar ao seu pensamento a existência das camadas médias que são menos sensíveis à questão da exploração do que às ambientais e culturais. Se quisermos revolucionar a sociedade, será necessário fazê-lo com estas camadas sociais intermediárias. Ora, o movimento libertário frequentemente é cindido em dois : uma tendência que entende “recuperar o vetor social” perdido nos anos 20-30, ou seja, recuperar a implantação que tinha na classe operária ; outra tendência que investe em atividades culturais. Ora, estes dois tipos de atividade não são antagônicos, são complementares, permitem “passarelas” e deveriam ser os elementos integrados de uma divisão do trabalho no âmbito de uma estratégia global : tal atitude seria de resto totalmente conforme ao projeto da Primeira Internacional. Não deve se esquecer que “a propaganda pelo fato” preconizada pela AIT tinha na origem o sentido construtivo de criação de caixas de socorros e de resistência, cooperativas, sindicatos, bibliotecas, escolas, centros educativos, sociedades mútuas, etc : “Bakunin, diante do malogro das tentativas revolucionárias das quais tivesse tomado parte e diante da Comuna, chegou à conclusão que ‘a hora das revoluções tivesse passado’. Recomendou, então, ‘a propaganda pelo fato’, no sentido de realizações diretas que servem de exemplos. Mas a demagogia e a estupidez fazendo a lei no movimento anárquico, a fórmula foi interpretada como uma recomendação dos atentados individuais, que não tinham nada a ver com o pensamento do grande lutador.” [18] Os anarquistas que se investem hoje nestes setores são perfeitamente fiéis ao espírito da Primeira Internacional, condições em que a luta das classes permanece um elemento decisivo dos seus princípios.

4. O movimento anarquista francês do fim do século XIX e o início do século XX praticamente foi reduzido à impotência, porque os militantes pensavam que a revolução era para amanhã de manhã : serve, por conseguinte, para nada projetar-se no futuro e encarar estratégias. Bakunin pensa que há períodos de refluxos. Quando declara a Elisée Reclus, em 1874, que “a hora das revoluções passou”, quer dizer que a revolução não é necessariamente a ordem do dia todo o tempo, que há ciclos. Estamos agora num ciclo descendente, diz, na hora na qual “o pensamento, a esperança e a paixão revolucionários não se encontram absolutamente nas massas” : durante tais períodos, “poderá sempre bater-se os flancos, não se fará nada” [19]. As correntes anárquicas ditas “insurrecionalistas” parecem fazer hoje do “insurrecionalismo” um princípio primeiro, “um produto derivado” do anarquismo, enquanto que a insurreição é apenas uma opção entre outras, quando o momento dela se aproveita. Quando a esperança revolucionária não se encontra mais nas massas, é necessário encontrar outra coisa.

5. Um século de história deveria incitar os militantes revolucionários a reconsiderar o conceito mesmo de revolução. Elisée Reclus tinha mostrado as dependências que existem entre evoluções e revoluções. Os marxistas revolucionários viveram (e vivem ainda por certo) o que Semprun-Maura chama “um delírio de identificação” com a Revolução Russa : sonhavam reconquistar o Palácio de Inverno. Mas pode-se dizer a mesma coisa dos anarquistas com as coletivizações na Espanha durante a guerra civil. Seria necessário aceitar a ideia que não haverá sem dúvida mais revoluções no sentido que entende-se a palavra hoje, que a revolução/evolução tomará formas inéditas. É por isso que não é necessário afastar nenhuma esfera de atividade, mas sim admitir que todas as esferas de atividade e de luta são complementares : a luta das classes hoje penetrou todos os aspectos da vida dos homens e das mulheres do planeta. Devemos igualmente guardar ao espírito que não seremos os únicos a agir para construir uma ordem social nova e que será necessário decidir com que é preciso ou possível combinar-nos.

Terminarei dizendo três coisas :

1. O movimento libertário internacional não tem os meios para conceber os seus diferentes modos de atividade em termos de concorrência e oposição.

2. Para o efeito, deve exceder o “localismo” no qual mantém-se frequentemente e compreender que não será nunca uma força política e social efetiva enquanto a multidão de grupos locais mostrar-se incapaz de federar-se entre eles.

3. Deve encarar uma estratégia global para um período muito longo.

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♦ « A organização da luta internacional, económica, prática, diária do trabalho contra o capital, aí está por conseguinte o único objetivo explícito, a única lei obrigatória, suprema do Internacional. » (Bakunin, Escrito contra Marx.)

♦ « Um programa político tem valor apenas quando, saindo das generalidades vagas, determina bem precisamente as instituições que propõe ao lugar de aquelas que quer inverter ou reformar. (Bakunin, Escrito contra Marx.)

♦ « O socialismo vivo encontra uma real existência apenas no instinto revolucionário iluminado, na vontade coletiva e a organização propria das massas operárias elas mesmas, – e quando este instinto, esta vontade e esta organização fazem defeito, os melhores livros do mundo são nada que teorias no vazio, sonhados do impotentes. » (« Lettres à un Français sur la crise actuelle », 1870.)

♦ « … um partido que, para chegar aos seus fins, deliberada e sistematicamente se compromete na via da revolução põe-se nao brigação de assegurar a vitória. » (Étatisme et anarchie).


[1Bakunin, Protestation de l’Alliance.

[2Fragment formant suite de L’Empire knouto-germanique.

[3“O sindicalismo revolucionário e os partidos políticos em Rússia”, publicado em Temps nouveaux, em julho de 1907.

[4O termo “anarcosindicalista” não existia ainda. É um erro qualificar a CGT antes da guerra de anarcosindicalista

[5Tradução francesa pelas edições Noir et Rouge, 2014.

[6Jacy Alves de Seixas, Mémoire et oubli, Anarchisme et syndicalisme révolutionnaire au Brésil. Paris : Éditions de la maison des sciences de l’Homme, p. 261.

[7Protestation de l’Alliance.

[8Protestation de l’Alliance.

[9Bakunin, Escrito contra Marx. Editora Imaginário – Expressão e Arte Editora.

[10Cf. Maurizio Antonioli, Bakunin entre syndicalisme révolutionnaire et anarchisme, Editions Noir & Rouge. – E. Malatesta, “Ancora tra Guillaume e Malatesta”, in Volontà, 21 de março de 1914. – J. Mesnil, “L’Esprit révolutionnaire”, in Les Temps Nouveaux, 13 de março de 1909. – L. Merlino, “Esperimento sindacalista”, in Volontà, 22 de junho de 1913.

[11Les Temps Nouveaux, 23 de agosto de 1913.

[12L. Merlino, “A proposito d’un esperimento sindacalista”, in Volontà, 6 de julho de 1913. Citado por Maurizio Antonioli, loc. cit.

[13M. Pierrot, “La Conférence de Bertoni”, Les Temps Nouveaux, 11 de junho de 1910.

[14Citado por Maurizio Antonioli, loc. cit.

[15A Pátria, 22 de junho de 1923. Citado por Alexandre Samis in “Anarquismo, ‘bolchevismo’ e a crise do sindicalismo revolucionário”.

[16Alexandre Samis, “Anarquismo, ‘bolchevismo’ e a crise do sindicalismo revolucionário”.

[17Carta a T.G. Morago, 21 de maio de 1872.

[18Gaston Leval, “A crise permanente do anarquismo”

[19Carta a Elisée Reclus, 15 de fevereiro de 1875.