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A Confederação Geral do Trabalho-Sindicalista Revolucionária

Organização : Ellen Rocha e Lúcio Alves

– CGT-SR Carta de Lyon (1926)
– PIERRE BESNARD O anarcossindicalismo e o anarquismo (1937) com prefácio de Alexander Schapiro
–RENÉ BERTHIER Sobre o Congresso Anarquista Internacional de 1937 (2026)

Article mis en ligne le 5 novembre 2026

par Eric Vilain

Nos dias 1º e 2 de novembro de 1926, um punhado de sindicatos reunidos em Lyon fundou a Confederação Geral do Trabalho–Sindicalista Revolucionária. Eram, como escreveria J.C. décadas depois, “minoritários dentro da minoria” : militantes que haviam rompido com a CGT reformista e, em seguida, com a CGTUnitária, que os comunistas tinham posto a serviço do partido.
Esta coletânea marca o centenário daquele congresso.
A CGT-SR sempre foi pequena. Sua importância está na pergunta que tentou responder no entreguerras e que continua aberta : o que deve fazer o sindicalismo revolucionário quando os partidos disputam a direção do movimento operário e o Estado se oferece como solução para tudo ? A resposta da Carta de Lyon é que o sindicato, além de instrumento de resistência, já contém a organização da produção, da troca e da distribuição de uma sociedade sem patrões e sem Estado. A Carta retoma a de Amiens e vai além dela : abandona a neutralidade e se declara contra todos os partidos e contra qualquer ditadura exercida em nome do proletariado.
Os três textos reunidos aqui acompanham esse percurso. A Carta de Lyon, traduzida na íntegra por Antony Devalle, vem precedida da apresentação que J.C. publicou em Le Monde libertaire em 1959, quando o documento já parecia esquecido. O relatório de Pierre Besnard ao Congresso Anarquista Internacional
de 1937, com prefácio de Alexander Schapiro, foi escrito em plena Revolução Espanhola por quem era então secretário-geral da AIT. Ele procura definir a relação entre os grupos anarquistas e os sindicatos : aos primeiros, a propaganda e a educação ; aos segundos, a decisão e a ação ; a ambos, independência e igualdade.
O comentário de René Berthier, escrito em português, situa esse relatório na crise que opôs Besnard à CNT e mostra, com relatórios policiais, jornais e atas de congresso, que a história do anarquismo e do sindicalismo revolucionário foi feita de atração e de desconfiança.
Berthier lembra que o mesmo debate atravessou o movimento operário brasileiro. Em 1913, A Voz do Trabalhador, órgão da Confederação Operária Brasileira, chamava os anarquistas a organizar as sociedades de resistência para não ficarem “isolados e impotentes”. Publicamos estes textos porque tratam de problemas que continuam sendo nossos : a independência das organizações de trabalhadores diante dos partidos e do Estado, o lugar dos militantes libertários nos sindicatos e a capacidade dos próprios trabalhadores de gerir a produção e a vida social.
Agradeço a Antony Devalle, pela tradução da Carta e da apresentação de J.C. ; ao Coletivo de Tradução do Instituto de Estudos Libertários, pela tradução do relatório de Besnard ; a René Berthier, que autorizou a publicação de seu texto ; a Ellen Rocha, com quem organizei este volume ; e à Editora Acrata, que o publica junto com o Arquivo Lucy Parsons.

Lúcio Alves
Novembro de 2026




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