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AFINIDADES NÃO ELETIVAS. — TEXTO COMPLETO
René Berthier
Article mis en ligne le 16 janvier 2021
dernière modification le 28 février 2021

par Eric Vilain

Para um diálogo sem frases vazias entre libertários e marxistas

Olivier Besancenot e Michaël Löwy publicaram um livro intitulado Afinidades Revolucionárias : As Nossas Estrelas Vermelhas e Negras, que visa destacar as “alianças e a solidariedade” entre o movimento libertário e o movimento comunista.
Os dois autores querem “lançar luz sobre este lado ignorado, muitas vezes deliberadamente, que revela a fraternidade de suas lutas”. Parece-me ser uma excelente ideia.

O presente trabalho, no entanto, não é, estritamente falando, uma resposta às Afinidades Revolucionárias : de fato, pareceu-me muito difícil responder aos pontos de vista expressos por Besancenot e Löwy porque sua argumentação é muito alusiva e vaga, baseada em uma apresentação extremamente aproximada dos fatos. Portanto, em vez de responder, escolhi simplesmente abordar os mesmos fatos, as mesmas perguntas, mas à nossa maneira : o leitor fará de si mesmo uma ideia.

Sempre que o marxismo está em crise, ele escolhe entre duas atitudes, dependendo do caso :

1. Para fazer-nos esquecer das experiências concentracionárias do “marxismo real”, os autores marxistas voltam atrás e tentam apresentar o marxismo como um “humanismo” ; eles então se referem aos textos juvenis de Marx, os Manuscritos de 1844, esquecendo que seu autor rejeitou categoricamente o humanismo após a feroz crítica que Max Stirner fizera em 1845.

2. Eles se esforçam para dar ao marxismo um polimento libertário, tentam amansar os anarquistas dizendo : “Não somos assim tão diferentes”. Então, eles se referem a dois documentos que são, a meus olhos, falsificações históricas : A Guerra Civil na França, de Marx (maio de 1871) e O Estado e a Revolução, de Lenin (novembro de 1917).

O primeiro livro é um texto oportunista escrito na época da Comuna de Paris – um texto em que Marx pretende adotar uma abordagem federalista, enquanto ele sempre atacou ferozmente o federalismo : Marx odiava o federalismo. Segundo ele, tratava-se de uma forma política que era uma relíquia da Idade Média. Em várias ocasiões, insultou os seus correspondentes, chamando-lhes “federalistas”.

O segundo livro, escrito em um momento difícil em que Lenin precisava do apoio dos anarquistas russos, não faz concessões sobre o que ele realmente pensa, mas deu ao leitor superficial a impressão do contrário. Quando o livro foi publicado, muitos anarquistas e sindicalistas revolucionários franceses acreditavam que Lenin era um anarquista.